Construção de centro de informações em Maquiné trabalha coerência do discurso ecológico e troca de conhecimentos. Espaço deve potencializar turismo ambientalmente sustentável
CENtRo de infORmações ambiENtais e TuRísticas em MaQUiné na REta fiNaL
O terceiro módulo do Curso de Bioconstrução realizado no canteiro de obras do Centro de Informações Ambientais e Turísticas, na praça central de Maquine, acontece de 25 a 27 de julho (último final de semana do mês) e é a etapa final de construção do prédio.
Previsto no edital do Subprograma Projetos Demonstrativos do Ministério do Meio Ambiente (PDA), o
Projeto de Desenvolvimento Ecoturístico de Maquiné, elaborado pela ONG Ação Nascente Maquiné (
Anama), para concentrar, organizar e articular num local público e acessível, as informações ambientais, turísticas e comerciais levantadas e mapeadas durante as pesquisas de campo no município, a construção do Centro possibilitou aprofundar o tratamento das questões ambientais desde as opções por técnicas construtivas de menor impacto.
Para tanto, o
arquiteto Silvio Santi, responsável pelo projeto de construção do Centro, utilizou como referência a própria tradição construtiva do local, no caso de Maquiné, o conhecimento indígena e aquele trazido principalmente pelos imigrantes italianos. Ao lado do resgate das técnicas utilizadas no início das povoações, outro critério foi fazer uso de matéria-prima encontrada no local e materiais e soluções de menor impacto ao meio ambiente, sistematizadas pelo conhecimento da permacultura.
Obedecendo os trâmites burocráticos necessários ao poder público local para permitir a construção, o projeto do Centro foi apresentado formalmente ao Conselho Municipal de Turismo de Maquiné, aprovado e enviado ao prefeito que forneceu a assinatura final e autorizou a obra.
Vencida a etapa legal, em março deste ano, uma equipe inicial foi constituída para trabalhar na etapa estrutural do prédio, num terreno da prefeitura reservado para a construção da praça central da cidade.
Com a etapa concluída, já no final daquele mês (21 a 23 de março), iniciou o
Curso de Bioconstrução, a partir da parceria estabelecida com o
CaSaTiERRa. Aberto ao público em geral, além das opções tecnológicas, as obras do Centro de Informação também se converteram em poderosa ferramenta pedagógica. Ao passo que ia sendo erguida, a construção demonstrava e educava para as possibilidades concretas de relação mais equilibrada com o meio ambiente.
Módulo 1 aconteceu em março
O Curso no canteiro de obras gerou a optunidade dos participantes experimentarem imediatamente aquilo que estava sendo relatado e demonstrado teoricamente pelos instrutores, de maneira a participarem das soluções e dos problemas surgidos da ação na terra.
O primeiro módulo trabalhou principalmente as construções com terra, as diferentes técnicas e como produzir a consistência certa do barro. Os participantes também estruturaram as paredes para aplicar a técnica de pau-à-pique. A essa altura a construção já virou assunto na cidade e os moradores ainda se mostravam um tanto incrédulos com que estavam vivenciando.
Quase um mês depois (19 e 20 de abril), a turma do Módulo 2 do Curso de Bioconstrução montou o telhado vivo do Centro de Informação, desde a estrutura à vedação, até a jardinagem do telhado, realizada com variedades de plantas locais, muitas delas doadas pelos próprios moradores. O trabalho com as paredes prosseguiu, mais tarde progredindo para o início das etapas de reboco e pintura orgânica.
No Módulo 2 foi construído o telhado verde
Mais de cem pessoas já estiveram envolvidas na construção do Centro. A cada etapa da obra, os moradores se aproximam mais. Se no ínicio poucos olhavam para o terreno sem desconfiar do que estava acontecendo ali, na etapa atual, com a mobilização em torno da edificação, a própria imponência da arquitetura bioconstruída no centro urbano, já foi possível atrair para os trabalhos de acabamento e detalhamento, trabalhadores locais. Muitos param na calçada, admirados, principalmente aqueles mais velhos, que não imaginavam ver as técnicas construtivas utilizadas pelos seus pais, resgatadas pelo bem da natureza.
Finalmente, o Módulo 3 do Curso de Bioconstrução, vai trabalhar com o tema do saneamento. A construção de uma solução ambientalmente mais sustentável que a convencional .Como resultado prático deste módulo, os participantes vão construir o tratamento de efluentes e finalizar o sanitário compostado do Centro de Informações .
A intenção desta etapa também é concluir a participação pedagógica na construção desse espaço de uso comunitário, cujo próprio processo de elaboração e opções tecnológicas demonstra na prática a urgência de uma relação mais respeitosa e equilibrada com o meio ambiente.
Esse caráter será o princípio que deverá nortear o uso e a articulação que a população fará deste local, na potencialização do turismo ecológico e na geração de emprego e renda sem degradação ambiental ou esgotamento dos recursos naturais.
Quem não conferiu de perto, ainda está em tempo. Mas fiquem atentos,
as inscrições são limitadas e devem ser feitas pelo email:
onganama@yahoo.com.br. Mais informações no cartaz grande acima.